Os barcos
a cada espaço de tempo
golpean o casi
nâo alcanzan a prudencia o costume a orden das coisas
eles vêm assim
confiantes como cachorros
ou namorados
e pôem toda a amplitude do mar
a bater a cabeça contra o casco
debe ser
para que eu festeje meu aniversário
a volta de uma viajem sem fim
debe ser
que o casco estilhaçado
aponta meu día
para voltar a encontrá-lo
Outra vez pra cima
para a água
a tocar antes o corpo
quanto é pureza
e alegría
outra vez amarrando o pacote de meus días tristes
para deixá-lo en um lugar
onde nâo me encontre
outra vez
umas poucas palabras
das que vâo dando
o impulso completo
da alegría.
A derrota das naranjas
se esndeu aos sulcos recém-plantados
caminha-se pisando a cor
apoiando o sapato sujo sobre gosto
os palhaços colocam naranjas
nas calçadas
vendem-se os venenos
disfrazados de naranjas
e os livros se empilham
e as palabras dos pregadores
e cai como única esperanza
a ressurreiçao verdadeira das frutas.
Trad. Ronaldo Cagiano
Ronaldo Cagiano Barbosa (Cataguases, 15 de abril de 1961) é um advogado, escritor, ensaísta e crítico brasileiro. Viveu em Brasília de 1979 até recentemente, quando se transferiu definitivamente para São Paulo. Trabalha na Caixa Econômica Federal desde 1982. Cagiano publica em diversos jornais e revistas do país e do exterior, dentre os quais Jornal do Brasil, Hoje em Dia, Jornal de Brasília, Correio Braziliense e revista Cult.